Um Reino Encantado no fundo do mar contos volume 02 

01/02/2021

Escritora Leni Zilioto de Lucas do Rio Verde-MT

     Era uma vez um Reino Encantado, que ficava no fundo do mar. O rei era um peixe que tinha uma antena na cabeça, e uma lanterna na ponta da antena. A rainha? Uma linda lula gigante, vermelha. Eles tinham dois filhos: um gracioso peixinho palhaço, com seu corpo listrado de vermelho e branco, e uma estrela-do-mar bailarina.

      Em volta do castelo real havia um lindo jardim formado por coloridos e luminosos corais, por onde passeavam os moradores do reino encantado: peixes de corpo listrado em preto e branco e barbatanas e cauda amarelas com pintas pretas; peixinhos graciosos, que mais pareciam uma carambola nadando; medusas com seus bonitos tentáculos; peixes longos mais parecidos com Pokémon do que com peixes; estrelas-do-mar grandes e pequenas; polvos simpáticos e brincalhões; conchas tranquilas e solidárias, enfeitando o reino com suas pérolas; cavalos marinhos exibidos e engraçados; baleias sábias e cuidadoras de todos os seres que precisavam de ajuda; tubarões fortes e protetores do reino; caranguejos gigantes e coloridos. E muitos outros seres que nem cabem todos nessa história. Todos eles tinham seus próprios castelos que, juntamente com o castelo real, formavam o Reino Encantado do fundo do mar.

      Um dia, quase aconteceu uma tragédia no Reino. A filhinha de uma baleia estava engasgada com alguma coisa e sentia-se muito mal. O papai baleia nadou rapidamente até o castelo e pediu ajuda ao rei, para salvar a vida de sua querida filhinha. O rei perguntou o que estava acontecendo. Papai baleia pediu para que o rei, por gentileza, fosse até onde estava sua filhinha passando mal e cuidada pela mamãe baleia, que ficou ao seu lado. O rei, com sua generosidade, prontamente seguiu o aflito papai baleia para chegar a tempo de salvar a vida da filha do casal.

        Ao chegarem ao local, encontraram vários moradores do Reino em volta da mamãe e da filhinha baleia, que estavam a conversar com uma fadinha de cabelo preto e vestido azul. Papai baleia sentiu uma felicidade muito grande ao ver sua filhinha bem, e até esqueceu que o rei o acompanhava. Mamãe baleia e os demais moradores foram logo fazendo a respeitosa reverência ao rei e o acolheram com um caloroso sorriso. O rei era muito bom para com todos, muito solidário e atencioso. Perguntou para a mamãe baleia como a filhinha conseguiu desengasgar. Mamãe apontou para a fada que conversava com sua filha e disse: ela apareceu e, com sua varinha mágica, fez sair da garganta o que a estava engasgando - e mostrou ao rei uma lata vermelha, do tamanho de um caju, com algumas letrinhas bem miúdas escritas, e duas palavras bem grandes: "EXTRATO DE TOMATE".

     Todos estavam curiosos para saber o que era aquilo que quase tirou a vida da pequena baleia. A fada então ligou seu celular mágico e mostrou vários vídeos que ela gravou na superfície e fora do mar. Nos vídeos apareciam criaturas de todos os tamanhos, que a fada disse aos seres do fundo do mar que se tratavam de seres humanos. E que esses seres humanos comiam alimentos armazenados em embalagens como aquela lata, por exemplo. Depois ela mostrou outros vídeos que também gravou, esses mostrando tartarugas engasgadas com outro tipo de embalagem, que os humanos chamam de sacolas de plástico, e peixinhos machucados em cacos de vidros de embalagens chamadas garrafas, também jogadas ao mar pelos humanos.

      Por fim, a fada mostrou alguns vídeos em que apareciam dezenas de crianças aprendendo com sua professora como se deveria descartar corretamente essas embalagens dos alimentos que eles consomem. A professora explicava aos alunos falando:

      - O problema do meio ambiente começa na nossa casa. E a solução também! Cada um de nós é responsável pelos resíduos que produzimos, lembrem-se de que resíduo é o nome que damos a tudo o que sobra daquilo que consumimos e que conhecemos pelo nome de lixo. Então, o lixo deve ser descartado de maneira correta, e cada um deve cuidar da sua casa, da sua rua, da sua cidade. Se todos fizerem isso, o planeta Terra será um lugar melhor para todos os seres.

      No vídeo, um aluno levantou a mão e disse:

      - Professora, eu fiz uma placa na porta do banheiro lá em casa com a seguinte frase: "Tome banho rápido". O meu irmão demorava muito ao chuveiro, gastando uma quantidade de água desnecessária. A professora o olhou sorrindo, aprovando sua atitude.

       Depois, uma menina falou:

    - Professora, acho que devemos fazer uma placa para colocar lá na praia, escrito: "Não jogue seu lixo no mar", porque os animais do fundo do mar poderão morrer se comerem embalagens de plástico, de ferro, de alumínio, de vidro. Isso não é alimento.

    - Você tem toda a razão, Julia, disse a professora. Não devemos colocar os resíduos descartáveis nas ruas, na mata ou no mar. A tudo deve ser dado um destino correto. Nós podemos organizar uma lista de ações positivas para descartar o lixo que produzimos. Para a aula de amanhã, cada um de vocês deve trazer duas soluções para o problema do lixo. Depois, vamos ler cada uma e podemos distribuir as que acharmos melhor a todos os alunos do colégio, pedindo para que sigam as sugestões de destinação correta dos resíduos. Todas as crianças concordaram, muito empolgadas.

    A fada finalizou o vídeo, e os animais do Reino Encantado do fundo do mar, junto com rei, ficaram com os olhos arregalados. Não faziam ideia de que aquelas coisas esquisitas que às vezes apareciam por ali eram lixo produzido pelos humanos e que poderia lhes causar muita dor e até matá-los.

     A exemplo da professora, o rei combinou que cada um dos moradores do seu reino ficasse atento aos objetos estranhos que aparecessem, recolhendo-os e levando-os ao castelo. Ele iniciaria a construção de um depósito onde colocaria esse material para que não ficasse solto pelo mar e algum morador do seu reino viesse a morrer, por achar que aquilo fosse comida.

    Reforçou o pedido aos papais e mamães, para que cuidassem bem de seus filhotes, para que acidentes como aquele não se repetissem. Seria uma grande tristeza para o reino se a filhinha do casal baleia tivesse morrido engasgada por achar que aquela lata fosse comida.

       A fada mostrou a todos, em seu celular mágico, o vídeo que fez ao chegar para socorrer a baleia filhote engasgada. Gravou o sofrimento da filhinha, o desespero da mãe e a aflição de todos os animais que estavam próximos, observando tudo sem saber o que fazer. Gravou também sua chegada e a mágica que fez com sua varinha, fazendo a lata sair e a baleia filhote desengasgar e voltar para o aconchego de sua mamãe, aliviada.

       Disse que levaria esse vídeo para a Marina, uma menina que grava os vídeos para ela na sala de aula quando a professora fala sobre os cuidados com o meio ambiente. Ela queria que Marina compartilhasse com a professora e os colegas o vídeo que fez com a baleia filhote, para que eles soubessem como os animais sofrem com acidentes provocados pelo lixo espalhado por onde não deveria. Ela tem esperança de que quando todas essas crianças forem adultas, como são seus pais, esses problemas não aconteçam mais.

     A fada se despediu de todos, o casal baleia agradeceu a ajuda dela e a solidariedade do rei em dar atenção e importância ao seu problema. E o rei, respondendo com respeito a reverência que todos os animais do seu Reino fizeram, retornou ao seu palácio. E todos viveram felizes para sempre.

      O nome da fada?

      O nome da fada é Cristal. 

Conto publicado na Antologia de contos volume 02