O sorriso de Desidéria 

01/04/2021

Escritora Maura Luza Frazão

O mundo se abria em novas possiblidades sempre que Desidéria sorria. Um sorriso meio maroto, aconchegante e ao mesmo tempo fascinante por envolver as pessoas numa carinhosa aura de esperança.

Ela era linda em todas as suas nuances. Ao seu lado tudo tinha um significado especial, estava sempre realizando algo com seu dinamismo contagiante, demonstrava verdadeiro prazer em ser útil para todos do seu entorno.

As pessoas da comunidade a procuravam sempre que algum problema se apresentava, não importando a hora e o momento, algumas vezes isso acontecia em plena madrugada, ela, com um sorriso nos lábios, se levantava e saia em busca de alternativas para ajudar aquela pessoa aflita naquela empreitada.

Para sua família, Desidéria era um porto seguro, a pessoa procurada ao menor sinal de conflitos, era a conselheira ideal para situações reais. Uma mulher à frente do seu tempo, proativa, independente, com uma aura reluzente e uma impressionante leitura da realidade em todos os ângulos.

Aos seus filhos deixou um rico legado de amor a leitura e a escrita, tinha verdadeira paixão por livros, costumava presenteá-los com coleções inteiras. Tinha prazer em comentar suas leituras e recomendá-las às pessoas. Possuía o dom da oratória, com retórica rebuscada adquirida da sua intimidade leitora com a Bíblia Sagrada, seu livro de cabeceira.

Hoje, seus ensinamentos permanecem entre seus filhos, amigos e familiares, sua imagem de filha, irmã, mãe, esposa serve de referência para todos os que tiveram o privilégio de fazer parte da sua vida. Seu sorriso sincero é sempre lembrado em rodas de conversas na família, um sorriso que conseguia desarmar batalhas e que continua enraizado em nossas lembranças, uma riqueza que jamais será esquecida, uma dádiva preciosa que faz parte da nossa herança.