Escritora Marlete Dacroce

19/03/2020

Falando com nossa homenageada, Doutora em Ciências da Educação pela UAA, Mestre em Ciências da Educação Pela UAA; Especialista em: Gestão Escolar pelo ICE; Educação Especial pela UNIC; Educação Infantil; Alfabetização ICE, Psicopedagogia Clínica e Institucional pelo IEPES. Também faz parte da Academia Sinopense de Ciências e Letras cadeira n. 26. Marlete Dacroce.


1 - AL: Como foi o seu primeiro contato com a literatura?

R: Drª. Marlete Dacroce:

Bem, posso dizer que bem cedo nasci com as letras e palavras girando na minha cabeça. Sempre desejei muito estudar era algo assim como que um dom que me foi dado do "alto".

Quando ainda menina aos 09 anos de idade já havia traçado o meu destino ou pode-se dizer tinha objetivo de vida, queria muito, desejava com todas as forças estudar, me formar e escrever para as outras pessoas transmitir meu o meu conhecimento.

Durante a infância tive uma "MUSA" inspiradora a irmã do meu pai a tia Venildes (in: Memoriam) ela continuou solteira, mesmo assim conseguiu sair de casa para estudar, se formou foi enfermeira professora e escreveu livros, na verdade eu queria ser ela! Era tudo que eu desejava! Mas a cultura familiar da época, as necessidades financeiras me impossibilitaram percorrer essa trajetória.

Iniciei os estudos já atrasada pois, precisava cuidar dos irmãos menores para que minha mãe pudesse trabalhar na roça para ajudar no sustento da família mas, eu sempre que via algo escrito queria saber que letra era, sempre tive aptidão e aprendi com facilidade.

E ao ingressar aos estudos aos 08 anos de idade na primeira série em uma escolinha multisseriadas no interior de Xanxerê SC, o prof. "Aristides" fez toda a diferença na minha vida.

Durante a semana tinha um dia próprio o dia da "história" as vezes contada ou lida pelo próprio prof. ele fazia com que os alunos ficassem vidrados, ele conseguia despertar o gosto pela leitura e pela escrita, também tinha um senhor que era voluntário na comunidade sempre ia até a escola com seus livros para contar, ler e mostrar livros coloridos de literatura infantil. Era uma das coisas que eu mais amava!

2 - AL:Fale-nos um pouco do seu trajeto literário e quando você começou a escrever.

R: Drª. Marlete Dacroce:

Bem, posso dizer que desde que aprendi a ler e escrever adorava o dançar das letras "Carrossel" mas, aos 10 anos tive um certo bloqueio o caminho inverso do gosto pela leitura e escrita adquirido la no início. Uma professora do terceiro ano passou usar a leitura e escrita como imposição e castigo, ela não levava em conta o texto escrito mas, o que pontuava eram os erros ortográficos e pior de vermelho, o texto ficava um horror. Outras vezes as redações pra mim era castigo ex: "escreva como foi suas férias"? para quem só trabalhou não tínhamos o que falar.

O tempo passou e eu superei essa fase, me inspirei na primeira experiência que foi o diferencial na vida. Passei a montar textos na mente quando eu queria falar, escrevia re escrevia imaginava como ia falar o escrito as pessoas e acabava que não conseguindo falar nada, fato de que a criança não era ouvida e nem tinha voz para ser ouvida ou de querer algo diferente.

3 - AL: Como foi o seu processo de escrita? É difícil começar? Como você se move da pesquisa para a escrita?

R: Drª. Marlete Dacroce:

Escrever até que não é difícil, o difícil é escrever bem, com estruturara coerência saber colocar os títulos e subtítulos sem terminar em uma salada de frutas.

Alguns textos são mais fáceis outros bem mais difíceis e complicados exige-se mais conhecimento teórico para poder colocar em prática, é o caso das temáticas relacionadas as, dissertações, teses e livros científicos.

A mais ou menos 20 anos atrás quis colocar no papel o desejo de escrever toda a história da comunidade Brígida e, posso dizer que saber escrever eu sabia mas, não tinha conhecimento científico o suficiente para bem escrever. Os primeiros ensaios realmente virou uma salada de frutas, as temáticas todas misturas não era possível passar adiante pois, as pessoas se perderiam no texto.

Hoje depois de toda uma trajetória desde a Pedagogia, as cinco Especializações, Mestrado e Doutorado os quais me alicerçaram para que o livro saísse do papel, está praticamente pronto faltando apenas alguns ajustes

4 - AL: Você é professora, como você harmoniza a sala de aula e seus textos literários?

R: Drª. Marlete Dacroce:

Sempre fiz da literatura o carro chefe "principal" da sala a caixa de surpresa do dia, criei personagens para apresentar o livro, os alunos eram os personagens da história dramatizando, tornando-se parte das histórias a eles era dado a responsabilidade de (ser, fazer, estar) na verdade me apropriei do bom exemplo do primeiro professor. Todas as temáticas eram alicerçadas em um texto lido pelo (a) Professor (a) no início da aula.

E toda a aula prática (conteúdos) contextualizado em torno da leitura, a qual sempre teve objetivo principal no intuito de envolver desenvolver as habilidades cognitivas dos alunos assim se formulava hipóteses para despertar a curiosidade e durante a leitura se fazia inferências, se projetava as previsões e no final eram feitas as análises e a interpretação.

5 - Drª. Qual o papel da literatura na formação das pessoas?

R: Marlete Dacroce:

Penso que a literatura é a Base Fundamental para uma boa docência. O professor que não gosta de ler, jamais poderá desenvolver o gosto pela leitura.

Os professores precisam ler para os seus alunos dessa forma pode ensinar como se lê, o que deve observar para ensinar os alunos a interpretarem oralmente para depois partir para o caderno, no entanto muitos professores não gostam de ler para o aluno e querer que o aluno leia e a maioria das vezes nem tem objetivo. Desse jeito os professores podem cair na mesmice o (ensino tradicional) do qual vivenciei em relação à leitura. Peguem um livro e vão ler! Assim é possível manter o silêncio (a boca fechada), leiam o livro e faça o resumo, ou então copiem da (pg-pg.) e assim por diante são medidas que alienam o desenvolvimento cognitivo, imposição, castigo sem objetivo para o ensino aprendizagem.

6 - Como escolher um título para indicar para a sala de aula?

R: Drª. Marlete Dacroce:

Não poderia aqui escolher um título, ou citar um nome, seria injusta pois, cada literatura tras uma mensagem e nesse sentido que o professor deve estar atento antes de ler para seus alunos antes de trabalhar o texto se perguntar qual é objetivo de hoje? O que quero alcançar com essa leitura? Que mensagem quero deixar para os meus alunos? Que temática eu quero trabalhar? Será que essa leitura vai atender aos objetivos?

Só depois se vai em busca de uma literatura que atenda todos os objetivos traçados e com certeza essa literatura independente do autor ou do título fará toda a diferença.

7 - Qual a melhor forma de ler para os alunos?

R: Drª. Marlete Dacroce:

É quando se consegue despertar a curiosidade esta pode ser aguçada em forma de (surpresa ou desafio) do qual o professor pode ser criativo fazendo papel de ator ou de atriz vestindo o personagem, a melhor forma para a leitura de qualidade é quando o professor consegue conquistar seu "público" os alunos, se tornaram peças importantes do xadrez participando do desenrolar de toda história.

A melhor forma é propiciar aos alunos uma ótima literatura, depois um lugar confortável podendo ser a própria sala em círculos onde todos podem ter acesso para interagir com colegas e professores e sucessivamente variando ou acrescentando elementos para instigar a curiosidade (o conhecimento acontece).

8 - AL: Quantas vezes você revisa seus textos antes de sentir que eles estão prontos? Você mostra seus trabalhos para outras pessoas antes de publicá-los?

R: Drª. Marlete Dacroce:

Bom não tenho um número definido de quantas vezes reviso mas, são inúmeras vezes e, pior em cada revisão eu acabo modificando, acrescentado, tirando, substituindo, não sei se sou muito crítica ou perfeccionista, mas pode variar muito de pessoa para pessoa esses critérios.

E mesmo depois de ter passado por várias correções peço para alguém também revisar, fato de ser muito importante ter um outro olhar, outra análise.

9 - AL: Quais escritores influenciaram o seu processo de criação literária, desde o início?

R: Drª. Marlete Dacroce:

São vários cada um cativou com sua particularidade e com as temáticas afins dentre tantos vou citar alguns científicos, romancistas e poetas: Foucault, Freud, Piaget, Vygotsky, Cesar Ap. Nunes, Perrenoud, Novaes, Isadora Guimarães, Paulo Freire, Içami Tiba, Augusto Cury, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Pablo Neruda, Bráulio Bessa, Vinícius de Moraes, Machado de Assis, Érico Veríssimo. Todos os Professores da UNEMAT o meu carinho Dr. Edison Antônio de Souza pela parceria, Dr. Josivaldo Constantino meu inspirador (sou sua discípula). Professores do Mestrado e do Doutorado Dr. Javier Vergara Nuñes e professor Dr. Antonio Hernández Fernández meus agradecimentos, aos nobres colegas da ASCL, bem como, ao grupo do Antologia de Escritores Contemporâneos minha admiração, podemos vivenciar a riqueza literária nas produções publicadas. A todos que de uma forma ou de outra fazem parte da minha história gratidão.

10 - AL: Quais foram projetos literários?

R: Drª. Marlete Dacroce:

Meu primeiro projeto foi o TCC de conclusão de Pedagogia: 1.Uma análise das técnicas de leitura e produção textual desenvolvidas nas práticas pedagógica na escola. Depois vieram os cinco TCCs das especializações 2. Analisar se o empreendedorismo está sendo aplicado na Gestão escolar na unidade de ensino. 3. Identificar se a musicalidade favorece a interação e a aprendizagem dos alunos com Deficiência Mental, 4. Alfabetização lúdica: uma análise quanto ao rendimento escolar, 5. Um informe Psicopedagógico institucional e Clínico para o diagnóstico mais preciso da queixa.

Na sequência veio a DISSERTAÇÃO DE MESTRADO:Orientação sexual nas escolas públicas municipais de Sinop, Mato Grosso: Uma análise das práticas pedagógicas dos docentes nas 6ªs séries do ensino fundamental. Da Dissertação o PRIMEIRO LIVRO: Orientação Sexual na Escolas Públicas.

Depois veio a TESE DE DOUTORADO: Sexualidade: Percepção e expectativas dos adolescentes, frente à temática nas escolas da região norte do MatoGrosso-Brasil

SEGUNDO LIVRO: O emaranhado jogo de poder e interesse que envolve a sexualidade humana.

PARTICIPAÇÕES: Os dez anos da Academia Sinopense de Ciências e Letras: Desafios e Conquistas.

Antologia de Escritores Contemporâneos: Contos e Poesias. vol.01, vol.02, vol.03, vol.04, vol.05 e vol.06.

11- Quais são os seus próximos projetos literários?

R: Drª. Marlete Dacroce:

· Este livro será em "Billingue" compartilhado com um jovem escritor de língua espanhola.Os mistérios da arte de amar e seduzir: caça e caçador. Los misterios del arte de amar y seducir: la caza y el cazador.

  • A história do desbravamento da Comunidade Rural Brígida

Intitulado: Comunidade Rural Brígida: Uma história de bravura, trabalho, união e fé.

· A professora "D" seus alunos e a fórmula para consertar o mundo.

  • Instruir para incluir: Sexualidade do Autista.

12 - AL: Quais são seus escritores / livros favoritos?

R: Drª. Marlete Dacroce:

Meus escritores favoritos? Não poderia apontar um único seria injusta pois, a busca por leituras vária conforme o objetivo do momento. Existe a busca por temáticas científicas, hora para distração, hora por mais conhecimento em algumas áreas afins. Por isso, não vou citar nomes para não ser injusta. Posso dizer que o conhecimento me encanta independente do gênero literário.

13- AL: Qual obra sua que você gostaria de destacar?

R: Drª. Marlete Dacroce:

Na verdade, não poderia destacar uma obra somente pois, quando publicamos porque a consideramos importante.

Mas a ênfase maior eu poderia destacar aqueles que abordam, ou abordaram as temáticas sobre os valores éticos na interação com a sexualidade humana.

14 - AL: O que você acha que mudou no seu processo de escrita ao longo dos anos? O que você diria a si mesma se pudesse voltar à escrita de seus primeiros textos?

R: Drª. Marlete Dacroce:

Vou fazer a colocação baseada nos 32 anos de trabalho como docente, penso que se perdeu a essência do ler e escrever de forma lúdica divertida, os alunos precisam ser coparticipantes e responsáveis pelo processo de ensino aprendizagem.

Só se aprende ler "lendo", escrever "escrevendo", é isso que precisamos resgatar nos alunos desde as séries iniciais é possível se escrever bons textos.

Uma experiência interessante de 1984 a 1993 trabalhei com turmas multisseriadas na Escola Municipal Rural Brígida, lá não tínhamos recurso algum muito menos material pedagógico e se criava mil e uma didática e estratégias de ensino, se juntava cartolinas, folhas e papeis, sacolas e se confeccionava os matérias, se leia, se dramatizava, se contava história fazendo inferências, projeções e interpretações tudo para alicerçar o aluno para escrever bons textos e no final do ano todos os alunos tinham o seu livro com todas as produções do ano, livros esses que nunca foram publicados eram montados artesanalmente, mas com toda certeza fez toda a diferença na vida desses alunos, o trabalho prosseguiu, ano após ano, foram muitos livros... Neste sentido vale aqui uma dica. Para se escrever bons textos primeiramente o escritor deve estar preparado "transbordando de idéias", pois, escrever é um ato solitário.

15 - AL: Qual dica você deixaria para escritores iniciantes, com base em suas próprias experiências?

R: Drª. Marlete Dacroce:

Deem o primeiro passo, comece pelo que considera mais simples até pegar o gosto, sentir o sabor da escrita...colocar as idéias principalmente essas que ficam girando na sua cabeça feito "carrossel" passe para o papel! Se a primeira versão não agradou, ajuste, modifique, acrescente mas, siga sempre em frente "desistir jamais".


Muito obrigada Professora e Escritora Doutora Marlete, e sempre e grande prazer ter a sua participação aqui conosco.