Kiara Baco Anhon

16/01/2020

Estudante de Letras, poetisa, adora tudo que envolva a arte de se expressar, principalmente a cinematográfica. Ama a "bio" como um todo, e busca na maioria de seus textos, falar sobre sentimentos, exaltar dores e proporcionar reflexão, porque a arte é libertadora, e fazer arte é libertar o "eu" que há preso em cada um.

Leia-me e entenda-me

Se na sombra da noite
Sobras-te duvidas do que sinto
Murmuro:
Ajoelha-te sobre as calhas da razão
E clamas o meu pseudônimo de poeta amargo
Que te responderei:
Meu sentimento é inconcebível, inóspito
Desconhecido
Porque perdido fui eu em tentar sentir amor
Quando no meu peito sempre houve dor
Houve fogo e houve gelo
Mas não houve frio ou calor
Apenas substantivos abstratos
Como o próprio extrato do sentimento
O resultado de um passado
A memória de um eu
E a lembrança de algo que ainda não veio
Se te sobras duvidas ao que sinto por ti
Mesmo ao recitar tais palavras
Peço que clame meu nome
E grite meu medo
Que te responderei:
Como poderia eu amar alguém,
Se nem mesmo eu me amo?
Como poderia amar alguém,
Se eu não sei o que é o amor?
Quando o meu cognitivo não aceitou a palavra
E transformou em sentido
E até hoje tenho desconhecido o que é esse termo.

Procurando entre fugas,

Beijos gelados, abraços agonizantes,
E risos descontrolados, o sentimento que me falta
Que te falta
E que talvez na falta não exista
E dentre as ausências
O que me resta da incerteza
É apenas a certeza
Que aprendi viver de versos de sintaxes e léxicos
Não de amores não de emoções
Como poderia viver de estados físicos?
Se eu só proporciono
Se eu sou a estrada que guia
A mão que te afaga e te esquenta
A luz que irradia.
Não rio, não choro
Não amo
Só escrevo na falta do sentir
Procurando mentir
Sobre o meu oculto
O buraco profundo
Que sempre existirá no meu peito
Gritando socorro
Suspirando desejo
Pergunto-me se virei poema?
Não desejo, não sinto
Apenas expresso
O que de fato faz de mim objeto
Neste estado mórbido do qual vivo
Permaneço, continuo e no fim morro.