Simone de Sousa Naedzold

25/11/2019

Graduada em Letras Português/Espanhol pela UFSC, 2001. Mestra em Letras pela UNEMAT/Sinop (2018); Servidora efetiva do Estado Mato Grosso desde 2008. Possui diversos textos científicos publicados. Membro da ASCL. Cadeira 33. Patrono: Santiago Villela Marques. 

O Encantado de borboletas I

As borboletas são seres fantásticos. A metamorfose delas encanta até os mais desavisados seres. Assim Júlio pensava enquanto se preparava para dormir. Organizava suas cobertas fingindo ser um casulo e sempre pensava em acordar outra pessoa ou borboleta.

Uma borboleta, que recém saíra de seu casulo, ouvia atentamente os pensamentos de Júlio e via suas intenções ao se movimentar para organizar um casulo de edredons, e, seres encantados como são, resolveu que o menino teria uma experiência diferente com as borboletas que ele amava.

Na manhã seguinte, borboletas de cores amarelas e verdes num lado e coloridas de outro rodeavam a cama de Júlio. O menino pulou de seu casulo e viu esses mágicos seres. Estendeu a mão para as mesmas pousarem, mas não adiantou. Pegou sua espada de herói e esticou em direção das borboletas e, novamente, nada. Desceu para tomar café e as borboletas o seguiam. A mãe olhou a cena encantada, pois Júlio estava rodeado de borboletas e dando risada. E quis saber o que houve. O menino respondeu que o casulo de edredons havia funcionado e dele havia nascido borboletas de várias cores.

Após o café, o menino saiu para dar uma volta ao redor do lago e as borboletas ainda estavam perto dele. Ele se movia com suavidade para não machucá-las e elas iniciaram uma dança maravilhosa ao seu redor. A elas se juntaram outras borboletas que moravam perto do lago e nas regiões vizinhas e veio, inclusive, uma bem carrancuda

que não gostava de nada nem de ninguém, mas admirava secretamente o menino. Podia-se mesmo inferir que tinha amor por aquele ser pequeno, magro e muito pálido. As asas dessa borboleta foram motivos de o menino ficar horas parado observando-as, pois eram grandes, marrons e tinham um desenho com formato de olhos negros em cada uma das asas. Mas não causavam medo ao menino e sim, admiração. Da janela do quarto de Júlio, a borboleta que havia proporcionado tal encanto pensou: não era Júlio que encantava as borboletas eram as borboletas que se deixavam encantar pela pureza e bondade do menino.

Anos antes, os médicos recomendaram à mãe de Júlio que o levasse para morar em meio a natureza, considerando sua saúde frágil, pois a poluição da cidade iria trazer muitos prejuízos à saúde do filho. Obedecendo a esse conselho médico, mãe e filho se mudaram para o sitio de uma das avós do menino. E essa foi a mudança mais legal do mundo para Júlio. Foi ali que ele conheceu as borboletas e era ali que queria viver para sempre.