Escritor Ireneu Bruno Jaeger

29/11/2019

Formado pela Universidade Católica do Paraná, no Curso de Filosofia Ciências e Letras, com habilitação em Português e Literatura, Latim e Literatura e Inglês. É aposentado pela Universidade do Estado de Mato Grosso. Chegou a Sinop no dia de Natal de 1977. Foi por duas vezes diretor eleito da Escola Estadual "Nilza de Oliveira Pipino". Foi por duas vezes coordenador eleito da UNEMAT- Campus de Sinop. Em sua gestão, foi conseguido o atual prédio da UNEMAT junto ao prefeito Antônio Contini. Além da atuação no magistério, sempre atuou como escritor

AL: Professor. Como foi o seu primeiro contato com a literatura? 

Ireneu: Abraços a todos. Comecei a gostar de escrever quando estudante em Salvador do Sul. Os professores tinham que aguentar de ler toda fantasia que escrevia. Vou anexar um poema em que apresento isso.

AL: Desde quando o senhor escreve literatura?

Ireneu: Depois dos anos de estudante, já em Itapiranga, minha cidade natal, mantive um jornal. Primeiro se chamou "Clarinadas", depois "Itapiranga em Marcha" e finalmente "Oeste em Marcha". Depois, morando em Curitiba, em concurso para professor, encadernei os jornaizinhos e entreguei como "escritos" e me valeram muito na nota.

AL: Como é que surge a ideia de escrever um livro?

Ireneu: A ideia de escrever livro sempre comichava o interior. Então, quando já professor na UNEMAT/SINOP, criei coragem e escrevi o primeiro: Luzerna. O título é inspirado em passagem do "Navio Negreiro" de Castro Alves.

AL:Fale-nos um pouco do seu trajeto literário.

Ireneu: Depois que a gente começa a escrever é como um vício. Não de cachaça. Vício bom, vício de escrever.

AL: Como funciona o seu processo de criação? Quais sãos suas manias (ritual da escrita)?

Ireneu: Quase sempre parte de uma leitura. Lendo uma ideia interessante a gente fica pensando" e se vez de aurora, escrevesse sobre o pôr-do-sol, ou em vez de falar da alegria eu falasse da tristeza etc.


AL: Quais escritores influenciaram o seu processo de criação literária, desde o início?

Ireneu: Escritores que muito me influenciaram: Castro Alves, Gonçalves Dias, Carlos D. Andrade, Euclides da Cunha, Rachel de Queiroz, Pablo Neruda, Machado de Assis e é claro, meu patrono na Academia Sinopense de Ciências e Letras, Mário Quintana. Temos muitos outros bons autores.

AL: Quais são os seus próximos projetos literários?

Ireneu: Pretendo lançar no ano que vem um livro de poemas.

AL: Quais são seus escritores / livros favoritos?

Ireneu: Confesso que não consigo fazer uma viagem sem trazer mais algum livro para casa. Vou citar alguns: Os Meninos da Caverna de Rodrigo Carvalho, O Tatuador de Auschwitz de H. Morris, Guia politicamente incorreto da História do Brasil de Leandro Marloch, a História do Brasil para quem tem pressa de Marcos Costa; livros de poesia: Cora Coralina, Dentro da Noite Veloz, Ferreira Gullar, livros de Cecília Meireles, Luís Fernando Veríssimo como modelo de crônica literária; Mário Palmério com Vila dos Confins e Guimarães Rosa com Grande Sertão Veredas, boas antologias poéticas de várias editoras.

AL: Qual obra sua que você gostaria de destacar?

Ireneu: Fiz uma pequena gramática que está com edições esgotadas com o título de "Curso Básico de Português", com três edições esgotadas... Serviu para muitos se prepararem para concursos e vestibulares. Pedem para fazer nova edição. Mas cadê o dinheiro?

AL: Qual dica você deixaria para escritores iniciantes, com base em suas próprias experiências?

Ireneu: Ninguém aprende a escrever sem antes aprender a ler e interpretar. O Brasil precisa dar mais valor à criatividade. Se alguém colocar criatividade na prova do Enem provavelmente vai reprovar. A criatividade precisa ser fomentada também nas ciências. Não esperar sempre que "japoneses inventem tudo e nós simplesmente copiamos." Não existe literatura sem criatividade.