Escritora Maria Fernanda

27/03/2020

Ela é sinopense tem 19 anos, é acadêmica do curso de Direito, uma das razões por ter escolhido direito é a justiça como defesa de quem vive às margens da sociedade. Ganhou concurso literário ainda no Ensino Fundamental e na mesma época foi eleita, em reunião com representantes de todas as escolas na câmara de vereadores, representante de adolescentes de 12 a 17 anos da UNICEF em Sinop/MT. 

Maria Fernanda

1 - AL: Como foi o seu primeiro contato com a literatura?

R: Maria Fernanda: Minha família sempre me incentivou muito a ler, a partir de então minha leitura foi um reflexo de uma rotina realizada pelos meus pais, com isso em poucos anos tive muito destaque na escola, e logo fui premiada por textos escritos.

2 - AL:Fale-nos um pouco como surgiu seu gosto pela leitura e quando você começou a escrever.

R: Maria Fernanda: Um livro que marcou muita minha infância foi O pequeno Príncipe, de ‎Antoine de Saint-Exupéry, já tinha o hábito de leitura e escrita antes dele, mas esse livro fez-me escrever de forma crítica e humanizada. Outras obras que despertaram o meu hábito de leitura foram as sagas de 
Harry Potter, da autora J.K. Rowling, Percy Jackson, de Rick Riordan e Feia, Constance Briscoe.

3 - AL: Como é o seu processo de escrita? Como você se inspira?

R: Maria Fernanda: Sempre busquei mostrar na poesia assuntos que possam ser identificados na realidade de outra pessoa, representar sentimentos em palavras, pensamento crítico e denúncia. Minhas inspirações para a poesia estão contidas nas minhas próprias vivencias, filmes, trabalhos e músicas. Neste livro minha maior fonte de inspiração foi o tempo que trabalhei como estagiária na Segunda Vara criminal do fórum de Sinop, especializada em violência doméstica e estupro, as experiências e histórias que adquiri durante esse tempo foram as inspirações para essa antologia e meu objetivo nessa oportunidade única é mostrar que a minoria, também dever vista e sentida por todos.

4 - AL: Quantas vezes você revisa seus textos antes de sentir que eles estão prontos? Você mostra seus trabalhos para outras pessoas antes de publicá-los?

R: Maria Fernanda: Costumo revisar umas dez vezes no mínimo, mas entre essas revisões gosto muito de pedir para outras pessoas lerem, desta forma, consigo ter uma visão maior do que agrada o público e lapidar a minha escrita.

5 - AL: Quais Escritores influenciaram o seu processo de criação literária?

R: Maria Fernanda: A literatura veio de berço, minha mãe Jacinaila Louriana Ferreira, é sem dúvida minha maior inspiração literária e incentivadora em minhas obras, ter uma figura de tanta personalidade tão perto é de uma honra inestimável. Dedico minha escrita a ela e também a todas as minhas professoras de linguagens que são escritoras e principalmente a professora e escritora Marli Chiarani grande responsável pelo texto que me fez adentrar na universidade.

6 - AL: Quais são os seus projetos literários?

R: Maria Fernanda: Meus projetos literários incluem a leitura constante e continuação da escrita. Já participei de três edições da Antologia de Escritores Contemporâneos e pretendo participar das outras cinco que fazem parte deste projeto Ações Literárias. Também pretendo em breve publicar um livro solo com minhas poesias.

7 - AL: Quais são seus Escritores / livros favoritos?

R: Maria Fernanda: Quero homenagear nesta resposta duas escritoras negras, e enfatizar que quero falar somente de mulheres, esse livro é para nós, pois muitas das mulheres que lerão este livro não tiveram a mesma oportunidade que tive de escrever, estudar, escolher minha profissão e publicar um livro aos 19 anos. Sou uma mulher de cor negra e tenho muito orgulho. Constance Briscoe no seu livro Feia, retrata em sua autobiografia o que quero passar nesta obra, Constance foi a primeira mulher negra a ser Juíza. São mulheres negras que conquistando seu espaço social e vencendo o preconceito que me inspiram a escrever, estudar e ter orgulho de ser quem sou. Minha segunda grande inspiração de obra é a biografia de Madame C J Walker, mulher que aceitou sua beleza negra e tornou-se a primeira milionária por mérito próprio, e seu segredo foram produtos para cabelo afro. Essas mulheres foram as primeiras a sentir e empoderar-se de algo que vivo hoje, estar em uma universidade de Direito e poder ver a beleza da minha cor e cabelos é devidoa elas, por isso as levo como minhas favoritas aqui.

8 - AL: Na sua profissão de modelo, o que a literatura contribui para seu desenvolvimento profissional?

R: Maria Fernanda: A profissão de modelo vai além do rosto e corpo mostrado pela mídia, pois exige uma postura crítica, conhecimento, desenvoltura de palco e comunicativa, além de sensibilidade artística e empoderamento, e estas competências só podem ser adquiridas por meio da leitura e da escrita, pois está guardada nos livros e na rica memória literária.

9 - Qual o papel da leitura e escrita na formação dos nossos jovens nos dias de hoje?

R: Maria Fernanda: A leitura e escrita desempenham papel fundamental na formação, considerando que por meio da leitura que se adquire conhecimento de mundo, histórico e literário, acontece ainda a ampliação do vocabulário e domínio da língua materna em diferentes épocas e percursos. O crescimento intelectual em quaisquer áreas do conhecimento exige a leitura constante aliada a escrita, pois o sujeito é levado a compreensão do todo e ao que denominamos de interpretação. Decodificar códigos linguísticos é apenas a etapa da alfabetização, ler exige reflexão, leitura de entrelinhas. É por meio do poder transformador e humanizador da literatura que o indivíduo é levado a ação da escrita.

10 - Que mensagem você gostaria de passar para aquelas pessoas que ainda não entraram no mundo da literatura.

R: Maria Fernanda: Gostaria de lembrá-los que a arte permeia nosso cotidiano independentemente da profissão, escrever é desenhar sentimentos, é dar asas ao imaginário. Se você não escreve, então leia, aprecie, faça parte do time de pessoas empoderadas de conhecimento e liberdade, pois a literatura é o lugar que permite além do exercício da cidadania, a livre expressão por meio da palavra.