Escritora Artemise Galleno São Luiz-MA

01/01/2021

Artemise Galleno

Contista, romancista, cronista, cursando atualmente marketing digital-UNIFCV. Julgadora do portal da escrita-game literário, também é compositora e roteirista. Destacou-se em 2012 com o poema de um pecador- em 8° lugar nacional. Lançou um livro solo na feira do livro em 2012, possui diversos contos e romances. E-books; em (plataformas digitais).

Participa ativamente de diversos projetos culturais.


Encaminhado dia 02 de fevereiro de 2021

Conto - A NOIVA

Manhã de sábado na Ilha do Amor. Mal dera sete horas da manhã, Marta atravessara a praça da Bíblia procurando um endereço. Tudo que a jovem queria naquele momento, era estar em casa dormindo. Marta chegou em casa sentindo-se mal, teve medo de desmaiar. De repente, o seu celular toca. Ela se espanta e atende apreensiva.

─ Sim Romeu. Está bem, estou saindo.

Marta estava triste. Teria o seu futuro promissor, pois casar com Romeu estaria certamente segura para toda vida. Seu matrimônio seria o mais perfeito, não havia dúvidas. Mas algo lhe abatia, só não sabia explicar.

Finalmente ela chegou a Casa das Noivas. Marta desceu do carro e entrou no prédio muito bem arejado, próximo à Beira-Mar. Moças se ataviavam de vestidos impecáveis e ensaiavam com entusiasmo. Damas de honra tinham privilégio de atuarem com destreza, para servirem as noivas. De repente, a moça foi interrompida por um rapaz que esbarrou nela. Ele se desculpou, e logo se afastou. Em seguida, a costureira do Ateliê se aproximou.

─ Venha garota, o seu vestido está pronto!

Sim.

De repente, a garota se viu em frente a um grande espelho, após ter se vestido de branco. E uma voz masculina ecoou com um elogio inusitado:

─ A noiva mais linda que já vi!

Marta sorriu sem graça. Disfarçadamente ela olhou pelo espelho. O rapaz usava uma roupa social e seus olhos falavam muito mais do que suas palavras.

─ Poderia sair dessa boca, um sorriso de felicidade. No entanto, vejo angústia em seu olhar.

Marta não soube o que falar, era um desconhecido lendo literalmente seu interior. Nisso, a costureira interviu com brandura:

­─ Vamos Ricardo, deixe a senhorita.

A jovem baixou a cabeça, mas aquele rapaz parecia saber demais. Quem seria ele? Marta apressou-se em tirar a roupa. Pagou a quantia que faltava e recebeu seu vestido. Ela tinha sido questionada pela primeira vez sobre seus anseios, porém mantinha suspeitas se realmente ainda amava Romeu.

Ao chegar em casa, a sirene tocou. Era Alice, a amiga de Marta. As jovens estavam concluindo a Faculdade de Direito, além de trabalharem no mesmo escritório.

─ Agora que você apareceu?

─ O que foi? Esqueceu de experimentar seu vestido?

─ Não, nada disso, eu lembrei sim. Quero te contar uma coisa Alice. Alguém que conheci. Ele parecia um príncipe, mas era um cara inconveniente.

­─ Como assim?

─ Ele falou que eu era uma noiva infeliz.

─ Ele acertou em cheio. Cadê esse cara que eu preciso conhecer?

─ Não é brincadeira Alice. Você não tem jeito, nunca leva as coisas à sério.

─ Mas, é verdade. Gostei desse cara.

─ Não quero vê-lo nunca mais.

─ Não quer ou não pode?

─ O que você disse? Para com isso menina. Estou as portas do meu casamento!!

─ Eu sei, mas parece você é a única pessoa que não sabe.

Marta ficou pensando seriamente e questionou:

─ Que dia é hoje Alice?

─ Hoje é sexta-feira.

─ Me dar aí meu celular, por favor amiga.

─ Pega. Ver se liga para o teu noivo. Acho que ele deve estar chegando para ver a noiva de mentirinha.

─ Como pode falar assim de mim?

─ Estou brincando amiga. Mas se ele não te fizer feliz, vou acabar com a raça dele.... E por falar em casório, estou louca para ver teu vestido de noiva.

Marta estava aflita, tentou ligar para resolver as coisas para o noivo, mas foi em vão. Ela ficou preocupada porque o noivo exigia com autoritarismo tudo que ele lhe pedia. As amigas ficaram horas vendo a lista de convidados. A tarde havia passado rápido para Marta que cochilara depois que Alice saiu. O celular tocara várias vezes, mas a noiva não escutara. Porém às cinco horas da tarde, o rapaz chegou irado.

─ O que aconteceu Marta? Você não me ligou para falar sobre a governanta.

─ Romeu, deixa eu te explicar...

─ Explicar o que? Que você não consegue resolver nada para mim?

O rapaz saiu batendo a porta do quarto. Marta desabafou enfurecida depois que o rapaz saiu.

─ O que estou fazendo da minha vida? Já errei tantas vezes e ainda continuo a errar?

A garota desaba em choro. E se depara em frente a um espelho. Percebe o quanto é jovem e bela. Tem apenas vinte anos. Lembrou-se do tempo em que teve um namorado e engravidou, mas perdera o filho depois de ser espancada pelo pai da criança. A decepção chegou cedo em sua vida quando tinha apenas dezesseis anos de idade. Depois disso, nunca mais amara ninguém. Sua beleza física atraía o sexo oposto, mas ela precisava ser muito mais do que o reflexo de um espelho, precisava ser valorizada. A sua relação com Romeu tinha sido somente uma atração. Agora estava se questionando por que teria que se casar com alguém que não conseguiu amar. E a cena se repete, quase como contos de fada clássico,  Branca de Neve:

" ─ Espelho meu, existe uma noiva mais infeliz do que eu? "

O dia do casamento havia chegado. Alice acabara de chegar com flores e colocou no jarro da sala. Marta continuava deitada de olhos fechados. Ela estava sem ânimo. Alice percebeu o desalento da amiga e chegando perto da cama, perguntou:

─ O que você tem menina?

─ Eu não tenho condições de me levantar.

─ Por favor noivinha, você tem que se esforçar. O cara é cheio da grana!

─ Para com isso Alice.

De repente ela perde os sentidos. Tivera uma caída de pressão.

─ Oh não!!outra vez? ­─ murmurou a amiga.

Alice correu e abriu o guarda-roupas, logo encontrou o vestido branco de noiva, estendido na cruzeta, ela vestiu na amiga ligeiramente. Nisso, a sirene tocou insistente. A moça correu e desceu as escadas, pedindo ajuda ao estranho que chegara.

─ Por favor, me ajuda a levar minha amiga para o hospital?

O rapaz se assustou, e se propôs a ajudá-la.

─ O que ela tem? Estar desmaiada?

─ Sim. Acho que deu um surto nela e não quer casar. Já pensou? Um cara rico e ela ainda pensando em amor?

─Vamos, vamos no meu carro.

─ É a primeira vez que isso acontece?

─ Não...já aconteceu. Todas às vezes que o noivo a trata mal.

Marta estava sem sentidos. Alice e o rapaz a colocam-na deitada no banco detrás. Alice estava nervosa.

─ Por favor, vá depressa.

O rapaz acelera e sai em disparada. Um pouco menos de cinco minutos ela acorda atordoada.

─ Aonde estamos?

Alice suspira aliviada.

─ Graças a Deus, você está viva menina!

Marta levanta o rosto mais uma vez e atônita pergunta, quando ver o rapaz:

─ Você? O que faz aqui?

─ Você é a noiva que conheci ontem, lembra?

─ Alice intervém:

─ Vocês já se conhecem?

─ Eu a conheci esta semana e, se não me engano...usava esse vestido de noiva.

─ Então foi você? Que gentil! - Ironizou Alice.

─ Não me levem para o hospital. Ei... por que estou com meu vestido de noiva? Ficou maluca Alice?

Calma amiga, foi o primeiro que encontrei. Não iria servir mesmo para nada, se você morresse...

─ Verdade. Quero voltar para o meu apartamento.

─ Mas já estar na hora de casar menina!! ─ interviu a amiga preocupada.

Marta passara as mãos nos cabelos desalinhados e no seu rosto dizendo:

─ Como devo estar horrível!

─ Não, você está linda vestida de noiva! _. Respondeu o jovem num ímpeto.

O rapaz parou o carro e Alice desceu. Ainda olhou para trás e disse:

─ O que você decidir Marta, eu assino embaixo.

Marta ficou sem saber o que dizer. Temeu olhou para o rapaz.

─ Leve-me em casa, por favor.

─ Que horas será ´seu casamento dona noivinha?

Pare com isso! Você nem me conhece e já me critica?

─ Calma senhorita. Mas acho uma grande tolice uma relação sem amor.

─ Para onde estar me levando?

─ Vamos nos divertir. Estar ainda tonta?

─ Não, estou bem. Mas não quero ir com você à lugar nenhum.

Sem hesitar, o jovem a carregou nos braços e adentrou num restaurante chique da ilha.

─ Largue-me. Você está maluco?

─ Você quer dançar? Eu te conduzo.

O rapaz abraçou-a na cintura e Marta teve que acompanhá-lo. Seu perfume embebia a jovem. Fazia muito tempo que ela não sabia o que era dançar. Sem ter muito o que falar ela perguntou baixinho:

─ Posso saber seu nome?

─ Meu nome é Ricardo. Sou Estilista. Capaz de fazer uma noiva infeliz voltar a ser feliz. Sabia que procurei seu endereço na ficha das noivas?

Marta não entende e fala atordoada:

─ Chega por hoje. Seria a hora do meu casamento. ─ A moça sai da dança e volta para mesa onde estavam.

─ Casamento? Nada disso. Você não o ama.

─ Ricardo, as pessoas estão sorrindo de mim.... Acham que estou louca com essa roupa.

─ Ei pessoal, olhem para cá. Vocês conhecem minha noiva? A gente vai casar hoje.

Marta ficara envergonhada com a atitude do jovem. Mas quando se deu conta já estava sorrindo.

─ Olha que sorriso lindo! Pela primeira vez te vejo sorrir de dentro para fora!

Depois de conversarem, a moça se embebedara com um copo de vinho. Mas Ricardo tomara de conta dela. Ele a levara para casa. Ricardo não se conteve enquanto não a beijou. Marta não imaginava que podia despertar tanto amor em alguém. Eles estavam ali, envolvidos de prazer. O vestido de noiva jogado no chão, já não tinha mais sentido para ela. Agora seria hora de dar uma explicação ao noivo desprezado na igreja. Ricardo a deixou em seu quarto e a cobriu de beijos, se despediu porque a moça insistiu que ele fosse embora. Marta procurou seu celular, nervosa. Imaginava as ligações de Romeu. Alice chegou ainda as onze da noite, na casa da amiga, apavorada.

─ Você precisa conversar com Romeu. Ele estar chegando.

─ Fica comigo Alice. Ele vai me matar.

─ Calma menina! Ele não pode fazer nada contra você.

A noiva não sentia arrependimento, pelo contrário, sabia que estava na hora de dar fim àquele relacionamento. De repente, Romeu entrara empurrando Alice.

─ O que você fez Marta? Por que me odeia tanto?

─ Por favor Romeu, não era minha intenção. Eu fiquei doente.

─ Doente? Por que não avisou? Eu não teria passado embaraço com meus amigos.

O silencio pairou. Marta suspirou e pediu a amiga que saísse.

─ Eu estava me sentindo perdida Romeu. Desculpe-me, se não te falei.

─ E o que aconteceu? Você tem alguém?

─ Acabou Romeu. Vou embora daqui. Acabou.

Enfurecido, ele a empurrou. Mas logo saiu sem olhar para trás. Marta teve medo. Correu e abraçou Alice que saíra detrás da porta. Finalmente a moça estava livre de uma relação doentia.

Ricardo chegara buzinando e Marta se debruçara sobre a porta do carro para beijá-lo. Ele só não imaginava que a noiva estivesse grávida.