Escritor lança mais um livro em sua carreira literária.

Noite de lançamento

O sol mais quente

Livro lançado em duas noites especiais, a primeiro foi na 1ª Ações Literárias, junto com outros escritores o autor apresentou seu livro, e a segunda noite foi junto com amigos familiares na escola onde trabalha, o autor diz que  Escrever  livro foi como participar de várias rodas de conversa, daquelas que a gente vai lembrando do que passou e mudou ou não. Eu, apesar e não estar aqui no início da história da cidade, cheguei em plena explosão de crescimento que passava, e pude vê-la ainda com a roupagem original, poeirenta, mas agradável, uma cidade que chamava gente de todo o Brasil para compô-la, torná-la o que é hoje. Eu vi a cidade do Norte vestir a nova roupa e se transformar na capital do nortão, uma cidade elogiada por todos que a visitam. E nas rodas de conversa que se seguiam, pessoas que viveram nela antes de mim, que a viram nascer me contavam suas experiências, suas histórias que acabei por recriar aqui. As histórias deste livro são reais nas lembranças de cada um que participou das conversas, com algumas adaptações por falhas na memória, mas sempre verdadeiras. Mesmo sendo histórias pessoais, aconteceram na cidade do Norte e fazem parte da história que em algum momento construiu a identidade desta cidade. Não estão alocadas de forma linear, o tempo vai e volta como nas conversas. Espero que você, leitor, goste do resultado de minhas conversas e sinta a cidade com o calor que ela nos passa, e se tiver alguma história sua, não esqueça de me chamar para conversa e quem sabe transformarmos num novo livro. Boa leitura.

Prefácio

Sabe aquelas rodas de chimarrão, prazerosas... onde ficamos por horas conversando e contando histórias do passado? Onde por vezes rimos, outras, marejamos os olhos? Assim são os microcontos de Antonio Cesar Gomes da Silva. A cada narrativa nos perdemos nos labirintos da selva que foi rasgada pela colonização e rapidamente ocupada. Somos transportados para o início da formação desta cidade de nome impessoal: Sinop (Sociedade Imobiliária do Noroeste do Paraná) - sigla da empresa que a colonizou, deixa claro que o capital é sua maior identidade, mas causa confusão na cabecinha da menininha loira que não entende por que a cidade tem no nome Noroeste, se fica no Norte.

A sensibilidade e os sentimentos guardados por tantos anos na memória de pessoas comuns são revelados nestes microcontos. Memórias de adultos e crianças que construíram a cidade nas suas relações com a floresta, com os outros migrantes, com o desconhecido... Aos poucos essa clareira no meio da selva foi se tornando o seu lugar no mundo. Sinop é o eixo das narrativas. Através de contos sintéticos, no entanto densos, as relações entre explorado e explorador, as dores e angústias, as alegrias e diversões, os medos e injustiças, os sonhos e segredos vão sendo ditos através da estética literária do autor.

Para quem presenciou o nascimento e o crescimento deste lugar, esses microcontos fundem-se com a própria história, pois proporcionam um retorno ao passado, em que podemos sentir o cheiro do pó de serra e da fumaça que condensava o ar. É possível ouvir o apito da madeireira e sentir o peso da lama que grudava nos sapatos. É possível ouvir o barulho da noite quando os motores de energia eram desligados. É possível ver a mata que foi derrubada para que se plantasse a cidade...

Assim, a memória individual se funde com a memória coletiva e constroem a identidade deste lugar. Pelas memórias dos pioneiros, o autor apresenta situações de relação concretas entre personagens, representando não apenas a cidade de Sinop, mas o próprio país, em que a privação e a pobreza sempre foram as melhores formas de dominação. Desta forma, a busca pelo capital que move os indivíduos, é escrita nos carros que percorrem a avenida do Governador e deixam claro as diferenças entre as classes. Diferenças que são até hoje o combustível que move pais de família a fazer do motosserra a música dos sonhos de riqueza, no entanto o pesadelo dos índios, da fauna e da flora. É um retorno ao passado que possibilita refletir sobre a existência humana, sobre os valores individuais e coletivos. Possibilita perceber que hoje estamos acidentados, mas podemos aproveitar para curtir o azul do céu, que podemos metamorfosear não apenas a terra, mas a nós mesmos, tomando o passado como ponto de partida para a evolução interna. Permite pensar sobre os sotaques e tradições que cada migrante trouxe para a selva, junto com o chimarrão que de mão em mão semeia a fraternidade e une os diferentes, que mesmo queimando a língua se juntam à roda.

Muitos significados contidos e revelados nestes microcontos. Antonio Cesar oferece o conteúdo como senha de acesso para as mais diversas emoções, tanto para quem carrega na memória a poeira do passado, como para quem quer se aventurar a conhecer os labirintos da floresta que um dia aqui existiu.

Então, sente-se... tome um mate... e não estranhe se a poeira entrar em seus olhos. É a magia da arte literária que o autor nos revela com primor!

Rosane Gallert Bet