Escritor Antonio Cesar

16/02/2020

Escritor de contos, crônicas e poesias, já publicou os Livros Desespero e outros contos estranhos (2017), O melhor lugar do mundo (2019), O dia de todas as coisas (2017), O repouso das almas (2019) e organizou os livros Práticas pedagógicas (2019) e Olhares e possibilidades na educação (2019) com professores de Sinop-MT, além de outros textos em antologias.

Antonio Cesar 

1 - AL: Como foi o seu primeiro contato com a literatura?

R: Antonio Cesar: A escola que eu estudava quando estava no ensino fundamental, já naquela época, tinha biblioteca, e todo dia quando chegava ia direto para lá. Tinha uma coleção que falava de assuntos variados, queria ler todos. Pena que os professores de Português nunca penderam por esta área da literatura, se não fosse a biblioteca (mistério uma biblioteca na escola pública naquela época), teria ficado totalmente órfão deste mundo na adolescência.

2 - AL: Fale-nos um pouco do seu trajeto literário e quando você começou a escrever.

R: Antonio Cesar: Eu escrevo desde que era adolescente, escrevi vários contos durante a graduação em Letras, mas nada realmente bom. Nos últimos anos comecei a escrever de forma mais intensa e então surgiu algumas publicações. Agora estou sempre escrevendo alguma coisa, como dizia Plínio, o Velho; "Nulla dies sine línea".

3 - AL: Como é o seu processo de escrita? Uma vez que você compilou notas suficientes, é difícil começar? Como você se move da pesquisa para a escrita?

R: Antonio Cesar: Eu escrevo quando a vontade vem, mas antes eu fico pensando no que vou criar, fico montando em minha cabeça, inserindo uma parte nova quando algo surge e assim o texto vai se formando. Quando ele está pronto para explodir, eu vou direto para o computador, não importa a hora e escrevo até não conseguir mais respirar. É como um mergulho que você tenta ficar o máximo de tempo possível embaixo d'água, e só emerge quando não dá mais.

4 - AL: Você é professor, como você harmoniza a sala de aula e seus textos literários?

R: Antonio Cesar: Os alunos precisam sentir a literatura pelo professor, se não eles se tornam mecânicos, só fazem por obrigação, e isto não é a intenção. O professor, antes de tudo precisa gostar de ler, gostar da literatura, e se produzir, melhor ainda, e se estudar a literatura, isto é o clímax. Fazer os alunos gostarem de ler, por que a literatura os liberta é o mínimo que o professor deve fazer em sala de aula.

5 - Qual o papel da literatura na formação da criança?

R: Antonio Cesar: A literatura tem as melhores ferramentas para a construção da cidadania desde que o leitor seja consciente do mundo, perceba as várias identidades da coletividade. Para isso, a criança deve se tornar leitora o quanto antes. Minha filha já é leitora desde os 8 meses de idade, um dos motivos que "acho", ser ela tão inteligente.

6 - Como escolher um título para indicar para a sala de aula?

R: Antonio Cesar: Escolher os livros literários é fundamental para estimular nos alunos o encanto pela leitura, assim não devemos esquecer a qualidade, a diversidade e a representatividade nas obras, além de considerar a idade das crianças, como também consultá-los sobre quais temas gostariam de ler, o que conquista a atenção deles. É importante equilibrar a lista com títulos clássicos e de escritores mais atuais, mesclando estilos e culturas para que tenham uma visão abrangente.

7 - Qual a melhor forma de ler para os alunos?

R: Antonio Cesar: Isso depende muito do momento, mas sempre leio de forma a chama-los para dentro do texto, fazer com que viagem na leitura enquanto ouvem e sintam vontade de expressar suas sensações.

8 - AL: Quantas vezes você revisa seus textos antes de sentir que eles estão prontos? Você mostra seus trabalhos para outras pessoas antes de publicá-los?

R: Antonio Cesar: Reviso toda vez que achar que há necessidade, mas ficamos viciados em nossos textos, por isso é importante sempre ter alguém para visitá-los antes da publicação. E ainda assim, sempre fica alguma coisa.

9 - AL: Quais escritores influenciaram o seu processo de criação literária, desde o início?

R: Antonio Cesar: Tem escritores que nos identificamos de tal maneira que às vezes gostaria que o texto deles fosse meu (risos), mas isso é bom, pois faz a gente querer aprofundar mais em nossa escrita. Gosto muito de Gabriel García Márquez, Fiódor Dostoiévski, Ernest Hemingway, Jostein Gaarder, do Brasil, Cecília Meireles, Mario Quintana, Graciliano Ramos. Se eu for listar aqui, vou ocupar mais de uma página, mas este são alguns dos principais.

10 - AL: Quais são os seus próximos projetos literários?

R: Antonio Cesar: Estou planejando um livro juvenil de mitologia, além de um livro de contos com a temática do negro. Mas neste momento estou com 70% de um romance, sobre uma mulher negra que resiste a marginalização e a Morte durante a segunda metade do século XX no Brasil.

11 - AL: Quais são seus escritores / livros favoritos?

R: Antonio Cesar: Meu livro número um é Cem anos de solidão de Gabriel García Márquez, este livro é perfeito. Gosto muito de Vidas secas de Graciliano Ramos, extremamente bem escrito. Tem também O mundo de Sofia do norueguês Jostein Gaarder, todo adolescente deveria ler, e quem já é adulto e não leu, deveria ler também. Tem muita gente boa, é difícil de listar todos aqui, mas tenho de lembrar de dois escritores de Sinop que estão muito acima da média: Santiago Villela Marques e Ireneu Jaeger.

12 - AL: Qual obra sua que você gostaria de destacar?

R: Antonio Cesar: Até o momento o livro O sol mais quente, microcontos que falam de/e sobre Sinop, penso ser muito importante para mim, pois a partir dele, percebi que sou sinopense de fato, apesar de não ter nascido aqui. Neste livro, retrato fragmentos de Sinop onde quem mora aqui a um certo tempo, reconhece a cidade e a conhece mais a cada história.

13 - AL: O que você acha que mudou no seu processo de escrita ao longo dos anos? O que você diria a si mesma se pudesse voltar à escrita de seus primeiros textos?

R: Antonio Cesar: A gente vai melhorando a cada ano, meus primeiros escritos são esquecíveis hoje, mas sem eles não teria melhorado, apesar de que ainda tenho muito, mas muito a melhorar. E eu diria a mim para escrever mais, pois dá para salvar uns 2% e se estivesse escrito mais, talvez chegaria a uns 3%.

14 - AL: Qual dica você deixaria para escritores iniciantes, com base em suas próprias experiências?

R: Antonio Cesar: Escrevam, leiam, escrevam, leiam mais ainda. E se der, publiquem, podem me procurar que eu ajudo a publicar, nem que seja um exemplar. E principalmente, não desistam, tem muita gente boa por aí, não podemos perder estas possibilidades. Tem muito escritor bom em Sinop, no Norte de Mato Grosso, eu mesmo tenho minha meta de leitura de escritores de nossa região e muitos desses que são iniciantes devem persistir, quem ganha somos nós, leitores.