Eidi Néia Martins  Carlinda-MT

01/01/2021

Eidi Néia Martins nasceu em Alta Floresta/MT (1983), ainda na infância aos 03 anos de idade mudou se com os pais para Carlinda/MT. Na juventude atuou em diversas pastorais da igreja católica, sendo liderança na Pastoral da juventude Rural (PJR) onde teve boa parte de sua formação de fé e política. 

Graduada em Licenciatura em Ciências Biológicas (2008) e pós graduada em Saúde e Meio Ambiente (2011).

Escreveu seus primeiros poemas ainda na adolescência, onde os poemas eram a sua forma jovem de vivenciar o amor e expor seus sentimentos e pensamentos de forma lírica, inspirada no amor que almejava e seria preenchido mais tarde na família que construirá. 

Autora do livro "Não são apenas lembranças" e com participações em diversas obras. 

ANTOLOGIA VOLUME 13  Encaminhado em 07/01/201

TEMPO
De manhã o tempo me avisou
Que ele esta passando.
De manhã o tempo me alertou
Que ele não vai ficar me esperando
Não quero mais sentir calafrio
Não quero mais me sentir sozinha
Não quero mais esse arrepio
Não quero mais esse frio na espinha
Esse medo que toma meu corpo
Que me impede de crescer
O tempo esta me dando a chance de socorro
Eu preciso renascer
Eu sei, ele já me avisou.
Que só ele pode ajudar
Eu sei, ele já me alertou.
Eu preciso acordar
Pra viver.


SIGO RENASCENDO

Sim.
Por várias vezes, morri
Em seguida renasci
Respirei fundo
E pra frente segui
Não é fácil morrer
Como não é fácil renascer
Fingir estar bem
Ludibriar a lua
Esconder o choro
Que lava meus olhos
E sair pela rua
Como se estivesse tudo zen
Porém.
Pior é ter a covardia
De todos os que por várias vezes me mataram
E não assumiram o erro
Que os impedem de renascer.
Eu?.
Eu sigo renascendo
Eles?.
Eles seguem covardes.

ANTOLOGIA VOLUME 14 - Encaminhado em 07/02/2021

SEI MEU VALOR

Chamam-me doida
De metida
De fingida
De sinistra
Chamam-me de louca
De dissimulada
De descontrolada
De desesperada
Dão-me esses adjetivos
Usam, proclamam e repetem por varias vezes.
Ao mesmo vento que bagunça meus cabelos
Pensam que assim tiram meu valor
Ainda bem que sei bem quem eu sou.

ALGUMAS MANHÃS
Algumas manhãs
Levanto-me mais cedo
Geralmente aos sábados
Preparo meu café
Enquanto a vida já acordou
Bem antes de mim
Ouço os pássaros
Abro a janela da minha cozinha e lá estão eles a cantar.
Tiro meu pijama, coloco outra roupa,
Penteio meus cabelos e os coloco em forma de coque.
Nessas manhãs gosto de saborear meu café forte
Com pouco açúcar, lá fora.
Debaixo da única árvore que tem no meu quintal.
Enquanto sinto o sabor do café penetrando meu corpo,
Meus gatos me acompanham,
Tomam seu banho de sol
E me acariciam as pernas.
Converso com eles e parecem me entenderem.
Esta árvore é também meu pequeno orquidário.
Converso com elas também.
Confesso que suspiro apaixonada
Com tudo que me toma neste momento.
Um momento que não dura mais que meia hora.
Mas são nesses momentos que converso comigo mesma
E me conheço,
Muitas vezes me reconheço.
Pós café, rego minhas orquídeas,
Enquanto as boas lembranças regam minha vida.
Pela porta da sala sai um pequeno ser a me chamar de mãe
Com um suave beijo me agradece pelo leite com pão
Que estava sobre a mesa.
E como num estalar de dedos,
Um suspiro ainda mais profundo acelera meu peito,
E penso.