Ana Luiza L. F. Menezes

23/09/2020

Nasci em Curitiba, e desde então não paro de me mudar ( e aposto que minha irmã gêmea escreveu a mesma coisa quando se inscreveu). Desde pequena meus pais se dedicaram a me influenciar com a leitura e com a escrita. Mas os frutos da paixão pela literatura começaram a ser colhidos por volta dos meus 11 anos, e até aqui, mesmo tendo dificuldade de atenção algumas dificuldades de aprender, tenho alimentado essa paixão ( devo os créditos ao meu pai, que sempre foi um exemplo de determinação e criatividade, e igualmente a minha mãe, que deu-me um grande exemplo do amor pela aprendizagem apesar das dificuldades do TDAH). O meu entusiasmo por escrever veio com uma insubstituível professora que Deus colocou na minha vida ( créditos Valéria), que por meio das aulas de redação e literatura me mostrou quão superior era minha capacidade de me expressar em palavras num papel do que em voz audível; creio que não tenho exercitado a minha criatividade ( a não ser que esteja inspirada - como o texto que estou enviando-) para textos utópicos, mas expressar minha opinião e informações por meio da linguagem escrita faz com que eu possa manifestar sentimentos que que vão além do vocabulário falado, desespero a gratidão, de raiva a paixão, e uma abertura para poesia e filosofia.( Se tivesse expressado isso por meio de palavras, agora com certeza teria uma grande pausa para respirar).
Tenho grande afeição por livros de fantasia, aventura e romance, contudo, durante esse ano cheio de aprendizagem, tive o grande prazer de me deliciar com livros clássicos da literatura norte-americana e britânica, que vão de J. R. R. Tolkien a Jane Austen. Outrossim, abro um parênteses para minha admiração por livros que mostram a realidade ou são baseados em histórias reais, visto que aprendemos principalmente com personagens no qual nos identificamos. Espero que tenham ficado tocados com essa biografia, porque essa era a intenção.

Castelo de vidro

Era uma vez um castelo de vidro, grande, transparente e cintilante. Tudo o que acontecia em seu interior fazia-se visto do lado de fora.

Lá dentro morava uma família, uma família de vidro, resplandecente, transparente, misteriosa, quebrada, estilhaçada, fragmentada; mas isso não podia ser visto do lado de fora. Escravizada pela boa impressão e presa às paredes transparentes. Privacidade era uma palavra que a tempos deixou-se levar pela vidraça da sala de jantar. À noite, quanto o íntimo da casa se ascendia, era possível ver mais de perto os segredos que ela escondia.

No castelo de vidro morava um menino, um menino de vidro. Jovem, alto e desengonçado, ainda ouso dizer fofo. Sorriso largo e brilhante. Suas rachaduras ainda eram pequenas, de quedas, brigas e decepções. Cada som que sai de sua boca não passava de um mero ruído, se comparado aos estrondosos gritos de repreensão, palavras hostis e pensamentos cruéis muitas vezes proferidos em sua presença. Inaudíveis aos civis do lado de fora por vidros isolantes de sons.

Ah! Se os sentimentos e pensamentos tivessem cores e formas!

Os gritos mais ardentes seriam tão prateados como o trovão. Os xingamentos mais feios seriam tão marrons como árvores mortas. Sorrisos mais sinceros seriam tão brancos como as Montanhas nevadas na primavera. Os silêncios mais sensatos seriam tão amarelos quanto os girassóis, que estão sempre em busca da luz da passividade e sabedoria. Olhares mais intensos seriam tão vermelhos quanto o fogo nas forjas, calorosos e hipnotizantes. As paixões mais ridículas seriam tão verdes como os campos verdejantes, que tem sua graça em singelas gramíneas verde-limão.

Em castelos de vidro, as cores só podem ser vistas pelas almas mais humildes, que conseguem entender e mudar a cor de corações tão negros como o carvão, que vão perdendo as esperanças. Em nosso castelo de vidro, em meio a um ambiente monótono e homogêneo, pimentos coloridos começam a aparecer. No sorriso branco, e na capa amarela de um garoto de vidro.